quarta-feira, 20 de julho de 2011

"Outra clareira. Mais uma..." | Brasil



Eu me inscrevi para ser colaborador do Greenpeace e ajudar a divulgar as notícias. Entre nessa você também!



* Por André Muggiati

Nosso avião sobrevoa amplas áreas de florestas primária, completamente preservadas, no município de Apuí, sul do Estado do Amazonas. De repente, uma clareira se abre no meio da mata. As árvores derrubadas, lá embaixo, não deixam dúvida: estão desmatando. Mas aqui? No meio do “nada”? A indignação vai tomando conta, mas quase não dá tempo. Outra clareira. E mais uma. Circundando o mosaico de pequenas áreas podemos perceber que, quando conectadas, formarão uma grande fazenda. Mas o crime não acaba aí. Ao longo de pequenos riachos e igarapés, as árvores também não foram poupadas, o que configura crime ambiental segundo o Código Florestal.
Após dois dias de sobrevoos, observando pequenos e médios desmatamentos e vastas áreas de florestas ressecadas pela ação do fogo no sul do Amazonas, não temos dúvidas: o desmatamento voltou, provavelmente incentivado pela promessa de anistia a desmatadores, contida na proposta de Código Florestal recém aprovada na Câmara dos Deputados. E ele está avançando cada vez mais para dentro da floresta, não só em Apuí, mas também em Canutama, Novo Aripuanã, Lábrea e Boca do Acre.
Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) comprovam: o Amazonas voltou a chamar atenção pelo avanço do desmatamento no sul do estado, área que já é considerada uma nova fronteira dessa expansão. Se compararmos os alertas do Deter de 2011 com os do ano anterior, há uma expressiva tendência de crescimento. Por meio de interpretação de imagens de satélite, a equipe do Laboratório de Geoprocessamento do Greenpeace identificou 146 polígonos, entre áreas em degradação e com corte raso, e sobrevoou alguns desses pontos para documentar a devastação.
Nesta segunda-feira, dia 11 de julho, fizemos a nossa parte: encaminhamos denúncia detalhada, com o “endereço” dos desmatamentos para o Ibama, a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas e o Ministério Público Federal. Não que eles fossem difíceis de achar. O próprio Deter já havia apontado vários deles, no mês de maio. Também publicamos a denúncia em jornais e websites do Brasil e do exterior. Nossa esperança é que o governo faça algo para interromper a matança da floresta, enquanto ainda é tempo. E que o Senado não aprove esse novo Código Florestal, que mesmo antes de aprovado já está causando destruição. Afinal de contas, o Brasil do futuro não pode mais conviver com a destruição de suas florestas.

* André Muggiati é coordenador de campanhas na Campanha Amazônia do Greenpeace

Oração à Mãe Terra


do Leonardo Boff
Terra a gente pode comprar,vender e usar. Mãe a gente não compra nem vende nem usa, mas ama, cuida e venera. Assim devemos fazer com a nossa Grande Mãe, Pacha Mama, a Terra. Neste contexto fiz a seguinte oração: 
“Terra minha querida, Grande Mãe e Casa Comum! Vieste nascendo, lentamente, há milhões e milhões de anos, grávida de energiais criadoras.
Teu corpo, feito de pó cósmico, era uma semente no ventre das grandes estrelas vermelhas que depois explodiram, te lançando pelo espaço ilimitado. Vieste te aninhar como embrião, no seio de uma estrela ancestral, o Sol primevo, no interior da Via-Láctea, transformada depois em Super Nova. Ela também sucumbiu de tanto esplendor e explodiu. E vieste então parar no seio acolhedor de uma Nebulosa, onde já, menina crescida, perambulavas em busca de um lar. E a Nebulosa se adensou virando um Sol esplêndido de luz e de calor: o nosso Sol.
Ele se enamorou de ti, te atraiu e te quis em sua casa, como um planeta seu, Terra junto com Marte, Mercúrio, Venus e outros companheiros teus. E celebrou o esponsal contigo. De teu matrimônio com o Sol, nasceram filhos e filhas, frutos de tua ilimitada fecundidade, desde os mais pequenininhos, bactérias, virus e fungos até os maiores e mais complexos como as plantas, os peixes e os animais. E como expressão nobre da história da vida, nos geraste a nós, homens e mulheres.
Como seres humanos, somos Terra, a parte tua que sente, pensa, ama, cuida e venera. E continuas crescendo, embora adulta, para dentro do universo rumo ao Seio do Deus-Pai-e-Mãe de infinita ternura. Desse inefável Útero viemos e para ele retornamos para recebermos suma plenitude que somente Tu, Pai-Mãe, nos podes conceder. Queremos mergulhar em Ti e ser um contigo para sempre junto com a Mãe Terra.
E agora, Terra querida, nesta Semana Santa, sinto-me um sacerdote universal. Ouso realizar o gesto de Jesus na força de seu Espírito. Como ele, cheio de unção, te tomo em minhas mãos impuras, para pronunciar sobre ti a Palavra sagrada que o universo guardava dentro de si e que tu ansiavas por ouvir:
“Hoc est corpus meum: Isto é o meu corpo. Hoc est sanguis meus: Isto é o meu sangue”
E então senti: o que era Terra se transformou em Paraiso e o que era vida humana se transfigrou em Vida divina. O que era pão se fez Corpo de Deus e o que era vinho se fez Sangue sagrado.
Finalmente, Mãe Tierra, com teus filhos e filhas, chegaste em Deus. Enfim em casa.
“Fazei isso em minha memória“.  
Por isso, de tempos em tempos, cumpro o mandato do Senhor. Pronuncio a palavra essencial sobre ti, Terra querida, e sobre todo o universo.  E junto com ele e contigo nos sentimos o Corpo de Deus, no pleno esplendor de sua glória”.


Leonardo Boff é uma pessoa muito ecológica! Ele estudou e deu aula sobre religiões, escreveu muitos livros e gosta de cuidar das pessoas e do planeta.